sábado, 19 de julho de 2003

a última tentação

A última tentação de Cristo
Celibato contradiz os Evangelhos e é a principal causa de abusos sexuais no interior da igreja, diz teólogo 

HANS KÜNG
Casos graves de abusos sexuais contra crianças e adolescentes por sacerdotes católicos foram reportados em grande número nos EUA, na Irlanda e agora na Alemanha.
Isso representa um imenso problema de imagem para a Igreja Católica e coloca em destaque a profunda crise que ela enfrenta. Falando pela Conferência dos Bispos da Alemanha, o presidente da organização, arcebispo Robert Zollitsch, de Freiburg (Alemanha), apresentou uma declaração pública inicial.
Que Zollitsch tenha classificado os casos de abuso como "crimes ultrajantes" e que o plenário da conferência, em comunicado de 25 de fevereiro, tenha pedido perdão a todas as vítimas deles serve como primeiro passo para corrigir esse erro imperdoável.
Mas novos passos precisam ser dados. Além disso, a declaração de Zollistch continha três erros atrozes que não podem passar sem refutação.
1. Asserção errônea: o abuso sexual praticado pelos sacerdotes não tem qualquer relação com o celibato.
Objeção! Não se pode negar que abusos como esses também podem ser encontrados em famílias, escolas, associações e igrejas que não adotam regras de celibato.
 

Atitude repressiva
Mas por que eles são tão especialmente recorrentes na Igreja Católica, sob liderança celibatária?
Naturalmente, o celibato não é a única causa de delitos de conduta como esses. Mas é a mais importante e serve estruturalmente como a maior expressão da atitude repressiva da igreja com relação à sexualidade em geral, uma atitude que também é revelada na questão do controle da natalidade e outros assuntos correlatos.
A leitura do "Novo Testamento" basta como esclarecimento: Jesus e Paulo praticavam o celibato como forma de estabelecer um exemplo para seu ministério, mas permitiam plena liberdade sobre o assunto a cada indivíduo.
 

Livre escolha
No que tange aos Evangelhos, o celibato só pode ser afirmado como uma vocação adotada por livre escolha, e não como lei de aplicação geral. Paulo contradisse enfaticamente aqueles que, em sua era, assumiram a posição de que "é correto que um homem não toque uma mulher", replicando que, "devido a casos de imoralidade sexual, cada homem deveria ter sua mulher, e cada mulher deveria ter seu marido" (1 Coríntios, 7:1-2).
De acordo com a "Primeira Epístola a Timóteo", "um bispo deve ser irreprochável, marido de uma só mulher" (1 Timóteo 3:2): O texto não afirma "marido de mulher nenhuma". 
Pedro e os demais apóstolos eram homens casados, e seus ministérios não sofreram por isso. Durante muitos séculos, essa continuou a ser a regra prática para bispos e sacerdotes, e nas igrejas do rito oriental, tanto a Ortodoxa quanto nas que se mantiveram unidas a Roma, continua a ser a regra, ao menos para os sacerdotes, até hoje.
A lei romana do celibato contradiz os Evangelhos e veneráveis tradições católicas. Deveria ser abolida! 2. Asserção errônea: é "completamente errado" atribuir os casos de abuso a um defeito sistêmico na Igreja Católica.
Objeção! A regra do celibato praticamente não existiu durante o primeiro milênio da igreja.
Ela foi introduzida no Ocidente no século 11, por monges (que optaram livremente pelo celibato), especialmente o papa Gregório 7º, e implementada contra a vigorosa oposição do clero na Itália e na Alemanha -onde a oposição era tão feroz que apenas três bispos ousaram promulgar o decreto romano. Milhares de padres protestaram contra a nova lei.
Em petição, o clero alemão objetou: "Será que o papa não reconhece a palavra do Senhor "que isso seja aceito por aqueles que o desejem'"?
Nessa declaração -a única quanto ao celibato que existe nos Evangelhos-, Jesus fala claramente em favor da livre escolha de um estilo de vida.
A regra do celibato, assim como o absolutismo papal e o clericalismo restrito, se tornou um dos pilares centrais do "sistema romano".
Em contraste com as igrejas do rito oriental, o clero do Ocidente, especialmente devido ao celibato, veio a se distinguir total e completamente do restante do povo cristão; uma classe social única e dominante, radicalmente superior à classe laica, mas completamente subordinada ao papa romano.
Qual seria a melhor solução para o problema de recrutamento de futuros padres? Bem simples: abolir a regra do celibato, que é a raiz de todos esses males, e permitir a ordenação de mulheres. Os bispos sabem disso, mas não têm a coragem de admiti-lo em público.
 

Comissão independente
3. Asserção errônea: os bispos aceitaram suficientemente a sua responsabilidade.
É claro que é bom ouvir sobre as medidas rigorosas que estão sendo tomadas agora para revelar casos de abuso e prevenir sua repetição futura.
Ainda assim, é preciso perguntar se os próprios bispos não são responsáveis pelas décadas de acobertamento de casos de abuso, por muitas vezes não terem tomado medidas sérias, limitando-se a transferir sigilosamente os predadores.
Será que não deveriam ser criadas comissões independentes para enfrentar esses casos?
Por motivos de discrição, a sigilosa Congregação para a Fé, do Vaticano, no passado assumiu jurisdição exclusiva sobre todos os casos de delitos sexuais praticados por padres e, com isso, entre 1981 e 2005, todos esses casos foram encaminhados ao seu prefeito, o cardeal Ratzinger [o atual papa Bento 16].
Em 18 de maio de 2001, por exemplo, o cardeal Ratzinger enviou aos bispos de todo o mundo uma "Epistula de Delictis Gravioribus", uma epístola solene quanto a crimes sérios, a qual dispunha que os casos de abuso seriam colocados sob "secretum Pontificium", ou "segredo papal", cuja violação acarreta sérias penalidades eclesiásticas.
Será que a igreja não tem direito a um "mea culpa", vindo do papa bem como do colégio de seus bispos?
E esse ato de contrição não deveria estar vinculado a um ato de reparação, o qual admitisse por fim que a regra do celibato, cuja discussão não foi permitida no Concílio Vaticano 2º [1962-65], deveria ser submetida ao julgamento livre e aberto de toda a igreja?
É hora de usar a mesma abertura com que a igreja está por fim enfrentando os casos de abusos para atacar uma de suas causas estruturais: a regra do celibato.
 

a última tentação

A última tentação de Cristo
Celibato contradiz os Evangelhos e é a principal causa de abusos sexuais no interior da igreja, diz teólogo 

HANS KÜNG
Casos graves de abusos sexuais contra crianças e adolescentes por sacerdotes católicos foram reportados em grande número nos EUA, na Irlanda e agora na Alemanha.
Isso representa um imenso problema de imagem para a Igreja Católica e coloca em destaque a profunda crise que ela enfrenta. Falando pela Conferência dos Bispos da Alemanha, o presidente da organização, arcebispo Robert Zollitsch, de Freiburg (Alemanha), apresentou uma declaração pública inicial.
Que Zollitsch tenha classificado os casos de abuso como "crimes ultrajantes" e que o plenário da conferência, em comunicado de 25 de fevereiro, tenha pedido perdão a todas as vítimas deles serve como primeiro passo para corrigir esse erro imperdoável.
Mas novos passos precisam ser dados. Além disso, a declaração de Zollistch continha três erros atrozes que não podem passar sem refutação.
1. Asserção errônea: o abuso sexual praticado pelos sacerdotes não tem qualquer relação com o celibato.
Objeção! Não se pode negar que abusos como esses também podem ser encontrados em famílias, escolas, associações e igrejas que não adotam regras de celibato.
 

Atitude repressiva
Mas por que eles são tão especialmente recorrentes na Igreja Católica, sob liderança celibatária?
Naturalmente, o celibato não é a única causa de delitos de conduta como esses. Mas é a mais importante e serve estruturalmente como a maior expressão da atitude repressiva da igreja com relação à sexualidade em geral, uma atitude que também é revelada na questão do controle da natalidade e outros assuntos correlatos.
A leitura do "Novo Testamento" basta como esclarecimento: Jesus e Paulo praticavam o celibato como forma de estabelecer um exemplo para seu ministério, mas permitiam plena liberdade sobre o assunto a cada indivíduo.
 

Livre escolha
No que tange aos Evangelhos, o celibato só pode ser afirmado como uma vocação adotada por livre escolha, e não como lei de aplicação geral. Paulo contradisse enfaticamente aqueles que, em sua era, assumiram a posição de que "é correto que um homem não toque uma mulher", replicando que, "devido a casos de imoralidade sexual, cada homem deveria ter sua mulher, e cada mulher deveria ter seu marido" (1 Coríntios, 7:1-2).
De acordo com a "Primeira Epístola a Timóteo", "um bispo deve ser irreprochável, marido de uma só mulher" (1 Timóteo 3:2): O texto não afirma "marido de mulher nenhuma". 
Pedro e os demais apóstolos eram homens casados, e seus ministérios não sofreram por isso. Durante muitos séculos, essa continuou a ser a regra prática para bispos e sacerdotes, e nas igrejas do rito oriental, tanto a Ortodoxa quanto nas que se mantiveram unidas a Roma, continua a ser a regra, ao menos para os sacerdotes, até hoje.
A lei romana do celibato contradiz os Evangelhos e veneráveis tradições católicas. Deveria ser abolida! 2. Asserção errônea: é "completamente errado" atribuir os casos de abuso a um defeito sistêmico na Igreja Católica.
Objeção! A regra do celibato praticamente não existiu durante o primeiro milênio da igreja.
Ela foi introduzida no Ocidente no século 11, por monges (que optaram livremente pelo celibato), especialmente o papa Gregório 7º, e implementada contra a vigorosa oposição do clero na Itália e na Alemanha -onde a oposição era tão feroz que apenas três bispos ousaram promulgar o decreto romano. Milhares de padres protestaram contra a nova lei.
Em petição, o clero alemão objetou: "Será que o papa não reconhece a palavra do Senhor "que isso seja aceito por aqueles que o desejem'"?
Nessa declaração -a única quanto ao celibato que existe nos Evangelhos-, Jesus fala claramente em favor da livre escolha de um estilo de vida.
A regra do celibato, assim como o absolutismo papal e o clericalismo restrito, se tornou um dos pilares centrais do "sistema romano".
Em contraste com as igrejas do rito oriental, o clero do Ocidente, especialmente devido ao celibato, veio a se distinguir total e completamente do restante do povo cristão; uma classe social única e dominante, radicalmente superior à classe laica, mas completamente subordinada ao papa romano.
Qual seria a melhor solução para o problema de recrutamento de futuros padres? Bem simples: abolir a regra do celibato, que é a raiz de todos esses males, e permitir a ordenação de mulheres. Os bispos sabem disso, mas não têm a coragem de admiti-lo em público.
 

Comissão independente
3. Asserção errônea: os bispos aceitaram suficientemente a sua responsabilidade.
É claro que é bom ouvir sobre as medidas rigorosas que estão sendo tomadas agora para revelar casos de abuso e prevenir sua repetição futura.
Ainda assim, é preciso perguntar se os próprios bispos não são responsáveis pelas décadas de acobertamento de casos de abuso, por muitas vezes não terem tomado medidas sérias, limitando-se a transferir sigilosamente os predadores.
Será que não deveriam ser criadas comissões independentes para enfrentar esses casos?
Por motivos de discrição, a sigilosa Congregação para a Fé, do Vaticano, no passado assumiu jurisdição exclusiva sobre todos os casos de delitos sexuais praticados por padres e, com isso, entre 1981 e 2005, todos esses casos foram encaminhados ao seu prefeito, o cardeal Ratzinger [o atual papa Bento 16].
Em 18 de maio de 2001, por exemplo, o cardeal Ratzinger enviou aos bispos de todo o mundo uma "Epistula de Delictis Gravioribus", uma epístola solene quanto a crimes sérios, a qual dispunha que os casos de abuso seriam colocados sob "secretum Pontificium", ou "segredo papal", cuja violação acarreta sérias penalidades eclesiásticas.
Será que a igreja não tem direito a um "mea culpa", vindo do papa bem como do colégio de seus bispos?
E esse ato de contrição não deveria estar vinculado a um ato de reparação, o qual admitisse por fim que a regra do celibato, cuja discussão não foi permitida no Concílio Vaticano 2º [1962-65], deveria ser submetida ao julgamento livre e aberto de toda a igreja?
É hora de usar a mesma abertura com que a igreja está por fim enfrentando os casos de abusos para atacar uma de suas causas estruturais: a regra do celibato.
 

sábado, 31 de maio de 2003

Anexos




Anexo 2:

UM SABER VIVENCIADO
O Saber, o Refletir, o Fazer, o Interagir

1. Desde a década de 60, venho desenvolvendo ideias articuladas, em quatro pilares básicos: a ciência, a filosofia, a ética e a interatividade, ancoradas no saber, no pensar, no fazer acontecer e no compartilhar, da Tetralogia Prática.
Na perspectiva existencial, vejo a pessoa humana, em suas quatro faces: o físico, o psíquico, o racional e o interacional.
Como cientista da linguagem, como semioticista, como filósofo e como educador, sempre procurei superar o espírito acadêmico. Procuro o sentido de tudo. Vejo as coisas simples, em sua complexidade. No meu magistério, que exerci em diversas dimensões da vida social moderna, procurei mostrar como a ciência e o saber tem um real  compromisso com a transformação da sociedade, levando a todos  mais saber e bem estar. No saber Teórico, sempre quis mostrar como ele pode ser uma força motriz, para abrir novos caminhos, com mais prosperidade, para as pessoas e para a humanidade.
Mesmo nos temas mais teóricos de que trato, sempre procuro enquadrá-los em temas atuais, da vida comum.
Naturalmente procuro mostrar os paradoxos da vida real. Provoco o leitor para o debate construtivo e responsável.
Aprendi com Camões, que fala do “saber só de experiências feito”.

2. Enfim, procuro aliar o saber ao saber fazer. Procuro difundir um saber sólido e consistentes e um fazer, uma prática transformadora, responsável e eficiente. O saber que não transforma é estéril
Procuro uma prática transformadora responsável e eficiente. Mas quem decide e quem age é o leitor.
Procuro fazer,  de um texto, uma seção onde se aprende a pensar a ciência, o mundo e a vida.
Sempre acreditei que o aluno é o  sujeito e não o objeto de aprendizagem. É um espaço de saber, de vivenciar e de compartilhar. Por isso penso que um bom texto precisa ser inquietante e provocativo, prolongando seus efeitos, muito além da leitura.
Um bom texto nunca deixa o leitor indiferente.

3. Como sei que, muitas vezes, “na prática a teoria é outra” ou que na “teoria a prática é outra”, nunca podemos perder de vista o mundo em que agimos e  interagimos, por meio da Palavra ou por ações.
Foi neste rumo que foi sendo forjada a Filosofia Tetralógica Prática. Foi uma longa gestação mental. Valeu a pena tentar.
Em torno da Tetralogia, as ideias saem naturalmente harmonizadas e dinâmicas. É uma Filosofia jovem, versátil e dinâmica, na sua concepção.

TEXTOS PARADIGMÁTICOS
            A Tetralogia Prática está ancorada nos seguintes textos, que reforçam seus paradigmas:

Grandes Textos Mundiais
O Pacto Humanista Global - GLOBIPACTO elege, como parâmetros, os seguintes documentos da UNESCO/ONU:
a) As Propostas da Educação para o Século XXI – UNESCO/Paris, 1998;
b) A Declaração Universal dos Direitos Humanos; (Proclamada em Paris Assembléia Geral da ONU – 10/12/1948);
c) Declaração de Princípios sobre a Tolerância (16/11/1995);
d) Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (Proclamado em 16/12/1966 – Assembléia Geral da ONU);
e) Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural, adotada em 02/11/2002;


terça-feira, 27 de maio de 2003

Desafio a quem decide

XXII
DESAFIO A QUEM DECIDE
- POSFÁCIO -

PROSPERIDADE, PAZ E DIGNIDADE DOS POVOS
- Uma Carta de Intenções -
“Mais vale acender uma vela
do que maldizer a escuridão”
(R. Tagore)
109

Dizer  que o estudo “Abalos na Igreja, Crise na Humanidade” aborda as forças e fraquezas da Igreja a partir da  conspiração armada no bojo dos casos de Pedofilia é uma afirmação parcial. Aí abordamos questões de estratégia  e renovação.
O texto é, fundamentalmente, uma proposta de reflexão e de   mudança.
Queremos dizer a cada pessoa que ela pode  mudar e ajudar  a fazer um mundo muito melhor, em condições mais propícias para criar o bem estar  humano e a prosperidade material e espiritual, nas  condições necessárias ao bem viver e a vida, com qualidade.
Vamos muito além da abordagem das fraquezas e tropeços . Querems sanar as causas.
Queremos dizer que “Mais vale acender uma vela do que maldizer a escuridão”.

Este não é um texto popular. É um texto  instigante e provocativo,  para quem tem competência de sonhar que é possível ir, muito além do trivial. É um texto para pessoas inquietas, ante os rumos da humanidade. Um texto para pessoas criativas e ousadas.
Não é um texto para os três macaquinhos. Não é um texto para pusilânimes. A pusilanimia é a grande praga do nosso tempo.
É um texto para os amantes da vida, do saber e da sabedoria. É um texto que convida você a pensar, meditar compartilhar. Convida as pessoas de boa vontade a porem a mão no arado para ararem a terra para a semeadura.
É um texto preocupado com os problemas e rumos das pessoas e do seu universo; com o sentido da presença de Deus no mundo.
Penso que a pessoa humana consciente é aquela que, atenta aos sinais dos tempos, se previne,   antes de ser atropelada pelos fatos.
Acima de questões políticas partidárias e ideológicas, devemos construir a prosperidade e a paz com respeito à dignidade humana.
A missão das pessoas é mais harmonização e prevenção de conflitos, do que de buscar solução para os conflitos.
Esta é a visão de um cidadão gestor.

110

Consciente é a pessoa que faz a história,  como  porta bandeira e não como o caudatário  dos acontecimentos.
A pessoa consciente é protagonista da história, faz a vida acontecer.  O inconsciente e o pusilânime ficam chorando, na beira da estrada, as mazelas dos novos tempos, enquanto a caravana passa!
Entende que a Igreja deve estar sempre preparada para ser  a Igreja do Futuro, como deve ser sempre a Igreja do Presente e como foi a  Igreja  do Passado. A Igreja vive um presente contínuo.
A Igreja  só pode ser o sal da terra e a luz do mundo,   se seguir as dinâmicas da vida e do mundo, com suas quatro estações e a natural mutação, sabendo que na vida nada se repete e que tudo caminha. Saber que quem pára fica para trás.
111

A Igreja  Peregrina é aquela que caminha sempre, rumo a um futuro melhor, vivendo sempre o melhor do seu tempo, o tempo do seu povo, que sempre caminha.   Só pára para retemperar suas energias.
A Igreja não pode se homiziar no passado. Ela é o presente continuo. Nunca é o passado. Se for está doente.
A Igreja, como um barco, não fica parada no porto, a não ser o tempo necessário para  zarpar em nova viagem. Só ficam  no porto os barcos  avariados ou os descartados.
O barco que navega no mar profundo, está exposto a tempestades que podem danificar-lhe o leme ou as velas. Esta é a sua sina... A nau é uma bela alegoria  da Igreja.

A Igreja deveria se preparar  para ser a mais sólida âncora humanista da humanidade.
Com Pio XII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II, estava bem nesse caminho. Bento XVI, ainda  não tem carisma de Pastor, mas pode aprender, como revelou na visita  a Portugal (maio/2010), onde soube cativar a todo, com sua simpatia e  simplicidade. O mundo descobriu nele um potencial que pode mudar os rumos emperrados da Instituição. O Papa precisa saber agir como pastor, mais do que como um grande teólogo.
O mundo precisa da Igreja e a Igreja precisa do mundo. Cada um mantendo a própria autonomia a própria soberania. Interagem sem se misturar. Cada um com suas competências.
A igreja precisa  manter o status de grande reserva moral do mundo.

112

As instituições que prosperam  fazem a sua  “lição de casa”, todos os dias. A vida é uma grande mestra. Ela vai nos mostrando os novos rumos, para não  nos desviarmos do objeto de nossa caminhada. Até porque os caminhos da vida são sinuosos, com muitas alternativas.

113

A Igreja precisa saber gerenciar seu potencial moral. Precisa saber ouvir a voz de Deus, no mundo.
Saber ouvir a voz de Deus, clamando também, em todos os descalabros, chacinas, desmandos e selvagerias econômicas, sociais, políticas, nas cidades e nos campos, na ética e na moral, na saúde e na doença. Clamando nas catástrofes que abalam a credibilidade no mundo.
É preciso saber  ouvir a voz de Deus, nas religiões do Oriente e do Ocidente: Na Índia, na China, na África, nas Américas, na Europa,  enfim, em todos os cantos e recantos da Terra. Por toda a parte.
Precisa ouvir a voz de Deus que fala e clama, em todas as  Igrejas cristãs, no Budismo, no Islamismo,  no Shintoismo, etc, etc.

Só é possível o diálogo, se aceitamos o interlocutor assim como ele é, com respeito, valorizando e aprendendo dele o que ele pode ensinar. O diálogo tem dois pólos positivos.
Deus não discrimina ninguém. Por que a Igreja discriminaria?
Para  manter o diálogo com o mundo, a Igreja precisa abrir as suas  portas para todos.  Até para os que se dizem ateus. A nossa Civilização Planetária exige que respeitemos a todos, sem discriminar ninguém, mesmo aqueles com quem podemos  não concordar.

114

Partindo da premissa de respeito ao mundo e aos humanos, estabelecendo princípios  balizadores, está na hora de as religiões, onde há seriedade e boa vontade, se unirem em uma grande confederação para, juntos,  sem dependências, lutarem como grandes baluartes da humanidade,  no âmbito do denominador comum, entre todos, com respeito à diversidade e à identidade de cada um, distante de políticas partidárias.
Na vida e no nosso trabalho, somos muito mais eficientes, quando procuramos fazer amigos leais, do que quando estamos sempre criando antagonismos e inimizades, trombeteando dogmas ou interesses paroquiais.
Devemos unir-nos pela paz, pela justiça, pela solidariedade e pela prosperidade espiritual e material entre os povos, dando-nos as mãos, uns aos outros,  para minorar o sofrimento de tantas etnias, pelo mundo afora. 
Devemos unir-nos pelo bem-estar, com qualidade de vida, de todos os povos que sofrem, com fomes, guerras, pela falta de educação, de justiça social e de  entendimento e por interesses às vezes escusos.
Devemos ajudar a cultivar, por toda a parte, os valores que trazem solidariedade, unidade e prosperidade para todos, sem prejudicar o formato da cultura local.

115

Escrevi este texto, sob o título: “DESAFIOS A QUEM DECIDE”
Mas, antes que o título cause alguma estranheza, devo esclarecer: Quem decide são as pessoas conscientes e não apenas os detentores do poder formal. O Poder é sempre compartilhado, em diversas instâncias da sociedade local e mundial. Isto é o que nos garante a decantada liberdade.

sexta-feira, 31 de maio de 2002

Canto

CANTO DA CONFRATERNIZAÇÃO UNIVERSAL


1

a Natureza EXUBERANTE

Quero ver o brilho verde,
Exuberante:
árvores e ervas
por toda a parte,
bem cuidadas, verdejantes.

Quero ver todos os humanos
vivendo sadios e felizes,
no aconchego do lar,
no trabalho ou na diversão,
solidários com a natureza
dando as mãos ao seu irmão
preservando o planeta
em vital articulação.

Quero ouvir,
nas ruas e bosques
de minha cidade,
o canto alegre dos passarinhos
ao raiar da aurora.

Quero ver o esvoaçar ligeiro diuturno,
da passarada
se recolhendo, em revoada,
apressada,
ruidosa,
harmoniosa,
ao sol-pôr.


E enquanto adormeço
ou descanso de um dia laborioso,
já noite serrada, escura,
quero ainda ouvir pelo céu,
sempre e todos os dias,
bem alto,
acima de minha cabeça,
o canto forte e sinaleiro,
do irerê e outras aves migratórias.
Elas passam, alegres,
voando em bandos,
em vôo noturno,
cantarolando,
seguindo seu rumo,
plenos de esperança e vida!
                
Quero ver todos os humanos
Cumprindo sua missão,
dedicados, conscientes e competentes.
Sendo sadios, felizes e  audaciosos,
solidários com a natureza,
e com tudo
que tem sopro de vida.



2

Crianças Gentis
 
Em todos os quadrantes e recantos
deste planeta quente,
quero ver crianças alegres,
sorridentes,
lindas como as flores,
olhos brilhantes como o sol,
e meigas como o luar.

Quero vê-las sempre
sadias e puras,
sem preconceitos,
como a água nascente
na montanha rochosa,
ou como o sol radiante e fulgurante,
sorridente,
despertando em leito de mil cores,
ao romper da aurora.

Quero ver
todas as crianças do meu país,
convivendo em um lar feliz,
educadas e sadias
onde não lhes falte espaço e comida,
boa cultura e  educação,
preparando-se convenientemente
para a vida!

Quero vê-las todas felizes,
sem distinção de raça ou condição social,
em bandos radiantes,
saindo da escola,
onde cultivam o espírito e a mente,
crescendo fortes e gentis,
aprendendo a amar a vida,
orgulhosas de seu país.

Quero vê-las
sempre alegres, saltitantes,
irradiando esperança,
solidárias com todos os viventes,
Alegrando os dias de seus pais
e de toda a gente.

Quero vê-las lindas e viçosas
como as flores,
radiantes como o sol!
Felizes!
Contentes!


3

O Brio da Juventude

No meu Planeta Terra
tão vivo, fulgurante,
quero ver jovens sadios
fortes, elegantes, fogosos,
sérios e sorridentes,
persistentes,
como toda a natureza,
em perene Primavera.

Quero ver todos os jovens,
esbeltos, criativos,
como o sol que brilha
em seu percurso diário,
pontual,
aquecendo tudo e todos,
sem ódios nem rancores,
sem discriminação
fazendo germinar a vida.

Quero ver todas as pessoas
vivenciando a vida,
como ela é,
numa sucessão e num amálgama
de Primavera, Verão, Outono e Inverno,
com alegria e esperança.

Quero ver os jovens
amando a vida sem esmorecer,
lutando pela vida com qualidade,
olhando seguros o futuro,
garantindo o amanhã de todos,
exercendo a  justiça e a fraternidade.

Quero vê-los
criativos como o sol que brilha
fazendo germinar a vida!

Quero vê-los
simples, cavalheiros e amáveis,
com humildade e altivez,
em sua natural força e franqueza,
(que beleza!)




4
ALTIVEZ JUVENIL

A Humanidade proclama
com desvelo:
Sua eterna esperança.
Quero ver todos os jovens
intrépidos e audazes,
corajosos e atuantes,
dedicados ao estudo,
à amizade e à convivência,
buscando sempre, no dia a dia,
segurança e competência.

Quero vê-los
conscientes e competentes,
enfrentando as naturais dificuldades,
capazes de superar obstáculos,
sem insolúveis frustrações,
sem se deixar levar,
caminhando com os próprios pés.

Quero vê-los
aprendendo lições de sabedoria
dos grandes luminares de seu país
e de toda a humanidade,
reverenciando a história
e o ensino silencioso,
multimilenar,
que vem dos próprios pais,
do próprio povo
e dos seus antepassados.

Quero vê-los amando a vida
olhando seguros o amanhã,
competentes e dedicados,
envoltos em contagiante alegria!




5

Sinfonia da Natureza

Eu te amo, meu Planeta Terra!
Planeta fértil, abençoado,
Que a todos dás guarida.
Eu quero te ver
sempre vivo,
respeitado,
em tuas forças indomáveis!

Quero poder ver
sempre
a natureza se abraçar,
o céu azul e límpido brilhar,
a brisa fresca a todos acariciar,
todo o universo se confraternizar,
sem poluição,
sem fronteiras,
sem preconceitos e sem vacilar.

Quero ver
a humanidade redescobrir
a força da simplicidade,
da dignidade e da singeleza,
com franqueza,
como nos ensina, a cada dia,
a mãe natureza.
                
Quero ver
o céu azul e límpido brilhar
e toda a natureza se confraternizar!

Quero ver sempre,
por toda a parte,
toda a natureza em festa!
A multiforme vegetação,
a fauna e a flora,
planícies e planaltos,
montanhas e vales,
rochas e águas,
ventos e nuvens,
homens e anjos,
cada um a seu modo se amando,
mutuamente solidários,
se confraternizando!

Quero ver todos os seres
juntos e solidários,
em imensa e multiforme orquestração,
nesta nossa casa planetária,
sob esta fantástica abóbada celeste
qual incomensurável catedral.

Quero ver todos os viventes
entoando, a uma só voz,
com emoção,
um altissonante,
polifônico e vibrante
hino à vida,
ao Senhor da Criação.
Quero ver toda a gente cantando
nas ruas e praças.
Com alegria e emoção!

Quero toda a natureza em festa
em planetária orquestração!
Quero participar
do mais deslumbrante festival
da Universal Confraternização!

Quero harmonia e união
nesta imensa nave, no planeta Terra,
nossa morada hospitaleira.
Quero a paz, em cada coração.

 (São Paulo, 13.06.92)

Dar é Humilhar

DAR É HUMILHAR
                  ENSINAR É LIBERTAR 
                   J. Jorge Peralta

                             
                                    "Ganharás o pão com o suor de teu rosto"
                                         (Gêneses)

        
                   1
         NÃO FAÇA NADA  POR NINGUÉM

          Não faça nada por ninguém
          que isso humilha o cidadão,
          se é humano e capaz.
          É paternalismo furado.
          Acomoda mas incomoda.

          Dar o peixe
          é perpetuar  o pedinte.
          Ensinar a pescar
          é libertar.

          Ajude a obter o anzol
          e a programar a pesca,
          e terá  um homem capaz,
          auto-suficiente e feliz.

          Ensine cada um
a encontrar as próprias soluções,
          a definir o próprio rumo,
          a ser mais que um objeto de consumo,
          a ser um homem, não um cogumelo.

          Dê educação,
          ensine uma profissão.
          E o homem terá aptidão,
          e construirá a cidade
          com coragem e tenacidade.

          Construirá seu teto
          formará seu lar
          ganhará seu pão.
          Será um cidadão.
          Orgulhoso da vida,
          terá sua profissão,
          como um galardão.

          Dar o peixe é perpetuar  o pedinte.
          Ensinar a pescar é libertar.


                 2

             FAÇA TUDO

          Fazer pelo outro
          o que ele é capaz de fazer
          é dominá-lo, amordaçá-lo,
          anulá-lo, escravizá-lo,
          subservientá-lo, oprimi-lo...
          É fazer nada !
          Nada que possa ajudá-lo.
          É maltratá-lo.

          Mostrar-lhe o caminho
          apontar-lhe a luz,
          despertar sua vontade de vencer e de viver,
          é recuperá-lo e dar-lhe autonomia.
          É reerguer o homem.
          É fazer tudo.
          Tudo o que pode libertá-lo.

          E o homem se manterá confiante
          senhor de si, de seu caminho,
          livre do lobo e da serpente,
          da subserviência e da opressão.

          Liberto,
          o homem será um cidadão!
          E você também.
          Você terá feito tudo por seu irmão
          E basta!
          Do mais ele será capaz.
          Deu-lhe sua mão.
          Abriu-lhe seu coração.
          Deu-lhe educação.
Arrancou-o da humilhação.
          Tirou-o da contramão.
          Ajudou a recuperar um cidadão!
          E viva a nossa união!



                    3

           É DANDO QUE SE RECEBE

                             "Em se plantando tudo dá"
                                                                P.V.Caminha

        
        Se não estás disposto a suar a camisa,
        não serás merecedor,
        de um teto,
        de um afeto,
        ou de um prato de comida.

        O mundo moderno, populista
        é escravagista!
        Oprime os fracos com fantasias...
        com promessas vãs.
        Obstrui suas mentes e domina-as
        com falácias
        e falsos eldorados.

        Todos querem comer
        mas também é preciso plantar, cuidar e colher.
        Todos querem ter uma casa,
        mas quem se dispõe a construí-la?
        Todos querem o caminho, mas quem abrirá a picada?
        Quem fará a trilha?
        Quem compactará a estrada?

        Sem esforço nada teremos.
        Se o grão não morre não nasce a planta.
        Sem parto não haverá nova vida.
        Sem esforço e dedicação
        fenece a cidade, a família e o cidadão.

        O que vem do céu é a chuva e o sol,
        e até balão e avião.
        Se não plantarmos e cuidarmos
        só teremos capim para os quadrúpedes,
        e pouco mais.

        Cuida de tua planta e do teu chão
        e colherás frutos e sombra.
Cuida de teu espírito e terás a benção.
        Cuida de teu bem e terás amor.
        Com amor e dedicação
        inspiração e  transpiração,
e um pouco de sagacidade,
        Terás tudo o que precisares.

        Não queiras o que não produziste
        para não seres usurpador ou ladrão.
        Não queiras surrupiar o trabalho dos outros,
Se não o pagaste.
        Não sejas escravo de ti mesmo
Escravo de tua ambição.

        Faz e terás
        pois é dando que se recebe.
        O suor e o amor darão a vida,
        o amor, e o afeto,
        a casa e a comida!
             
        Se não cuidares da terra,
        Se não suares a camisa,
        não terás direito ao pão,
        ao teto, ao afeto nem a consideração.

        Não serás merecedor do sol
        que te aquece 
        nem da chuva que te refresca
        nem da sombra que te protege
        nem do amor que te acalenta e te completa.

        Esta é a lei da vida,
        a lei de Deus e dos homens.
        Tudo o mais é degradação;
        é enveredar pela contramão.